A natureza é o nosso melhor remédio
Do quintal da infância às Intervenções Baseadas na Natureza — por que o contato com o verde é questão de saúde, não de estilo de vida.
Por Geovana Grassmann
Publicado originalmente na Revolution Magazine, edição de março de 2026, p. 49–50. Ler na edição original (PDF)
Ainda tem gente que acha que abraçar árvore é coisa de gente doida, mas e se eu te contar que essa prática é milenar e hoje já é baseada em evidências científicas? E que pode auxiliar na ansiedade e até no aumento da sua imunidade?
Para mim, essa conexão corre em minhas veias, é atemporal, e um dos propósitos do meu trabalho é mostrar como a natureza pode nos auxiliar na saúde.
Eu cresci em Itapecerica da Serra, uma cidade que carrega a força da Mata Atlântica e que é um verdadeiro cinturão verde na região metropolitana de São Paulo. Minha infância foi moldada pelo pé sujo de terra, escorregador de grama no quintal da casa dos meus pais, alimentação baseada em hortaliças colhidas na casa das vó, abraços e lambidas de cachorros, ovos caipiras, cházinho de capim-santo da vó Rosa e morangos da horta da vó Bina e do vô Fritz. Inclusive, as outras mães elogiavam a minha mãe pelo meu gosto e dos meus irmãos em verduras, legumes e frutas. Além disso, nossa imunidade sempre foi forte e potente, e eu fui ter o meu primeiro celular tijolinho só com 14 anos.
Meus pais e avós me ensinaram que o contato com o verde é sinônimo de qualidade de vida e bem-estar, e que não estamos apenas "visitando" a natureza quando vamos ao quintal ou à floresta. Nós somos natureza. Quando olhamos para uma árvore ou para uma planta com cuidado e respeito, estamos, na verdade, cuidando de uma parte de nós mesmos que a vida moderna tentou silenciar.
Intervenções Baseadas na Natureza
Embora o contato com o verde pareça algo puramente místico para alguns, a ciência contemporânea tem dado nomes técnicos a esses saberes ancestrais. Hoje, falamos de Intervenções Baseadas na Natureza (IBN) e de como o ambiente em que vivemos determina a nossa saúde física, mental e espiritual.
Estudos publicados em veículos de referência e defendidos por instituições como o CABSIN (Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa) mostram que o contato direto com ambientes naturais reduz os níveis de cortisol (o hormônio do estresse), regula a pressão arterial e fortalece o nosso sistema imunológico.
- Andar descalço na grama: o estímulo sensorial da planta do pé ancora a atenção no presente e desacelera o corpo — uma forma simples de sair do piloto automático.
- Ambientes verdes: a simples exposição visual à natureza ativa o sistema nervoso parassimpático, promovendo um estado de relaxamento profundo que facilita qualquer processo de cura.
- Abraçar árvores: o toque demorado em um ser vivo maior que nós desacelera a respiração e reduz a sensação de isolamento. É prática de presença, não ritual — e é isso que a pesquisa sobre banho de floresta vem descrevendo.
A cura é verde
Mesmo hoje, vivendo e tendo mais contato com centros urbanos, é vital para minha saúde ter contato mínimo diário com a natureza — seja através de um banho de ervas, de uma planta dentro de casa, tomando sol. E, de tempos em tempos, me retiro por mais tempo para ambientes afastados da agitação da cidade moderna.
Como naturóloga, entendo que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de harmonia corpo-mente-espírito. E não existe harmonia se estivermos desconectados da nossa origem.
Muitas vezes, a solução para uma ansiedade persistente ou para uma baixa imunidade não está apenas em um comprimido, mas em dez minutos de sol, em um banho de ervas ou no simples ato de respirar o ar puro de uma área preservada.
Precisamos olhar para a natureza com a reverência que ela merece. Facilitar processos de cura é, antes de tudo, permitir que o corpo se reconheça como parte do ecossistema. O convite que eu faço é um retorno às raízes: que possamos honrar nossa ancestralidade e usar a ciência para validar o que o nosso coração já sabe desde criança.
A cura é verde.
Explorei este tema também em vídeo: assista à conversa completa.
